12
jul

Brinquedos órfãos e inquietantes!

brinquedos_orfaos-716x393

Eu não sabia, ao certo,  o que ia encontrar. Pensei que fossem brinquedos que crianças levavam no dia da sua despedida desse mundo. Ao chegar na Assembléia Legislativa de Minas Gerais encontramos uma pequena exposição, mas que já chocava na entrada, ao me dar conta r que ali tinham fotos e objetos reais de crianças que foram vítimas do trânsito. Mas, muito mais que isso: ali tinha muita alegria, dor, vida e morte, tudo junto.

Nas paredes, fotos. Nas bancadas, objetos. Nas maquetes, arte linda da KK Bicalho. No vídeo. Ah.. no vídeo muita história, lembranças, reflexões. Queria tanto que as pessoas pensassem que dirigir em alta velocidade, embriagadas, sem cuidado, distraídas, ao celular,  não é apenas arriscar para chegar mais rápido, mas é provocar uma mudança radical nas vidas de várias pessoas, inclusive na daquele que dirige.

Ao iniciar o vídeo, já tínhamos visto as fotos e objetos. Aí vem o relato de uma mãe que perdeu a filha. Depois outra mãe, sem outra filha. Quando o pai de uma menininha, morta em seu velotrol, começa a falar, eu começo a suar frio. Éramos cinco pessoas em frente à telinha. Mas eu saí dali, voando, e fui ao encontro do relato do pai. Vivi aquela história. Suei parado. Engasguei. E quando ele acabou a sua fala, na tela aparece uma musiquinha de transição de um depoimento para o outro. É como se um silêncio nos fisgasse para refletir. Não tive coragem de olhar para a minha amiga que estava ao lado, para não desabar. Mas, também, ninguém se mexeu. Depois respiramos e fomos embora.

É tão bom abraçar quem se ama. Quem te ama. E a perda ensina, mas é perda. Que a exposição sirva para que a gente mude. E como diz um dos cartazes, referindo-se à obra maravilhosa da KK Bicalho, de dobraduras em papel,  e sobre a vida: “somos frágeis como papel”.

O QUE É? O projeto da PCMG, Detran-MG e ALMG, inspirado na iniciativa do Instituto Paz no Trânsito, exibe brinquedos de crianças que foram vítimas de acidentes no trânsito e um vídeo com emocionantes depoimentos dos pais destas crianças. Um dos pais de uma vítima desabafa que “se esta ação servir para conscientizar uma pessoa e salvar uma vida que seja, já terá valido a pena”. 

EXPOSIÇÃO: De 12 a 15 de julho (terça a sexta-feira), das 8h às 18h.
LOCAL: Galeria de Arte do Espaço Político-Cultural Gustavo Capanema
Rua Rodrigues Caldas, nº 30, bairro Santo Agostinho – Belo Horizonte/MG

Veja também

Comentários