10
abr

Por que as crianças morrem?

Iane, um anjinho que trouxe-nos mais vontade de caminhar.

Iane, um anjinho que trouxe-nos mais vontade de caminhar.

Motivados por uma pessoa que nos segue no facebook, resolvemos criar, dentro do Tio Flávio​ Cultural, um projeto que buscasse elevar a autoestima de mulheres, principalmente em tratamento contra o câncer.

Pessoas de boa vontade tinham maquiagens e esmaltes, além de tempo e vontade de ajudar. Juntando tudo isso, a primeira ação foi agendada e realizada num asilo em Sta Luzia, MG. A segunda foi marcada para o Lar Teresa de Jesus, que cuida de pessoas que vêm do interior para tratamento contra o câncer, em BH, e como não têm como voltar para as suas cidades, ficam bem acolhidas nessa instituição que sobrevive independente da ajuda governamental.

As voluntárias do Tio Flávio Cultural estavam animadas, mas as crianças acolhidas na casa estavam mais ainda. As mães, que as acompanham, disseram que elas nem dormiram direito. Uma teve ânsia de vômito de tanta expectativa. Ao todo, em uma casa, estavam três mães e suas filhas, menores de 12 anos, além de outras pacientes. Uma delas, inclusive, nunca havia feito maquiagem. Tímida, teve suas unhas pintadas e foi maquiada por duas de nossas voluntárias. Até pousou para foto com as demais.

Quando cheguei os trabalhos já estavam em andamento. As três crianças que lá estavam eram só felicidade. Cada uma delas tinha perdido uma perninha para o câncer, mas a carinha era só alegria. Felizes demais, elas tinham sido maquiadas e tiveram as unhas das mãos e pés pintadas.

Como o Tio Flávio Cultural é dividido em 14 projetos, demos a esse o nome de Grandes Olhos, em homenagem à pintora norte-americana Margaret Keane, que teve sua vida e obras roubadas pelo seu marido, que assinava suas pinturas como se fossem dele. Ela conseguiu provar em juri que as obras eram dela, depois de muita dor e luta, pintando para o juiz e para o juri.

E assim fomos nós: pintar para resgatar a autoestima. Pintar pessoas. Resgatar pessoas.

Dez dias depois da ação recebemos a notícia que uma das menininhas, a mais serelepe, talvez, tinha partido desse mundo, deixado uma luta incansável contar o câncer, mas uma alegria que iluminou a todos nós por horas. Para os voluntários do projeto foi uma dor, mas uma certeza de que vamos continuar, homenageando a Iane (e as várias Ianes que ainda encontraremos por aí).

obs.: recebi a notícia da morte da Iane num táxi, com o amigo Marino Menossi, indo para o aeroporto. Ao falar com ele sobre esse caso, a pergunta foi o título dessa matéria que escrevi.

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