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Contando histórias e reinventando vidas!

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O convidado de hoje é um jornalista bem especial. dono de um texto muito leve, ele trata de assuntos bem densos. Conheça um pouco mais sobre o trabalho do Leandro (Léo) Barbosa.

“Sempre fui curioso, e essa característica me levou a cursar jornalismo e, também, foi um dos motivos que me levaram a criar o Blog História Incomum. Além disso, ela me revelou relatos que geraram uma dúvida: por que essas histórias estão no anonimato? E então veio a iniciativa de contá-las.

Saint-Exupêry, autor do livro “O pequeno príncipe”, diz: “apesar da vida humana não ter preço, agimos sempre como se certas coisas superassem o valor da vida humana”. Isso não devia ser assim! Por isso, escolhi o nome História Incomum. Um dos significados para a palavra incomum é extraordinário, ou seja, algo fora do estabelecido, do usual, e a vida é constantemente assim. A cada história que conto me reinvento, me indigno, me transformo olhando a vida nas suas ‘multiformas’.

Comecei o blog com uma história que escrevi para um prêmio que participei. Passei uma semana na oncologia infantil de um hospital, em Belo Horizonte, a fim de contar como três garotos reinventavam a sua infância diante da doença e do tratamento agressivo que encaravam. Durante o tempo que estive lá, conversei com a psicóloga que atendia às crianças e seus familiares, e ela disse algo que me marcou: “viver é muito simples, porque a gente já acorda vivo, porque a gente acorda respirando e isso é vida. Quando esses meninos estão felizes aqui, é porque estão vivendo o máximo que eles podem da vida que eles têm. O que vem daqui a 15, 20 anos, é expectativa”. Ali eu passei a olhar de maneira diferente como eu gostaria de viver os meus dias.

Depois disso, conheci a Dona Lúcia, “A senhora da mansão de Papelão”, uma moradora de rua que me ensinou a enxergar as pessoas além da primeira impressão, ou das condições em que elas se encontram. O Blog também me levou a duas favelas do Rio de Janeiro, onde conheci histórias de superação, dor e violência. A periferia é um dos muitos Brasis do nosso país. Nela vive um povo que luta, porque um dia ‘alguém’ decidiu que ali não haveria nada. Subversivos, vivem cada dia para superar a violência e a pobreza que, de alguma maneira, parece um decreto estabelecido a quem ali nasce.

Transformei minha indignação em palavras e ofereci minha escrita aos moradores que compartilharam comigo seu tempo em longas conversas. Assim nasceu a série “Outro olhar sobre a favela”. Nela expresso o pensamento de quem vive nessas comunidades, suas opiniões e histórias. Conto o drama vivido por um povo que se reinventa dia a dia na expectativa de uma vida melhor e justa.

Enfim, o História Incomum é um exercício pra mim e para todos que o acessam de conhecer-se e conhecer o outro. Como diz a Jornalista Eliane Brum: “quem consegue olhar para a própria vida com generosidade torna-se capaz de alcançar a vida do outro. Olhar é um exercício cotidiano de resistência”. Gerar empatia, tão escassa nos dias atuais, é o desafio a cada história escrita.”

Foto: Bruno Itan

Foto: Bruno Itan

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